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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

 

 

- Bom dia princesa - acordei com uma suave voz a dar-me os bons dias e com um leve beijo na face. Abri lentamente os olhos. Gabriel estava-me a olhar com um ar muito doce, como se fosse a primeira vez que dormíamos juntos.

- Bom dia - retribui.

- Dormiste bem?

- Dormi sim amor - sorri - porque é que ao fim de tantos dias que dormimos juntos perguntas-me sempre a mesma coisa?

- Gosto de ter a certeza - sorriu e deu-me um grande beijo.

- Está bem amor - deitei a cabeça no peito dele e voltei a fechar os olhos. Sentia-me protegida por aquele rapaz que eu sabia que só me queria bem. Ele passava a sua mão pelos meus cabelos, sabendo que eu adorava quilo e que me fazia adormecer. Passou a mão na minha barriga que agora já se notava alguma altura. Ele adorava sentir aquele relevo.

(...)

O som de mensagem do meu telemóvel acordou-nos aos dois. Levantei um pouco a cabeça e tentei chegar até ele. O Gabriel esticou o braço, pegou nele e deu-mo.

- Obrigado amor - sorri.

Ele retribuiu-me um sorriso ciumento. Olhei para ele mas nada disse. Peguei no telemóvel e li a mensagem.

"Ainda te lembras de mim? Ass: Duarte".

Fiquei um pouco incomodada com aquela mensagem. Fiquei a olhá-la durante uns longos segundos respondi:

"Duarte? Como conseguiste o meu numero rapaz? Estou muito contente por voltar a falar contigo. Beijinho"

Fechei a minha mão com o telemóvel no meio, e deitei-a sobre o peito do Gabriel. Não demorou muito a tocar novamente o som de uma mensagem recebida. O Gabriel olhou-me com um olhar reprovador.

Fiquei de conversa com o Duarte durante algum tempo até que o tema de conversa sumiu e deixamos de falar. Contudo, combinamos um encontro junto da praia.

- Estavas a falar com quem?

- C-com um amigo, porquê?

Olhou-me com um olhar que nunca me tinha olhado antes. Sentei-me na cama enquanto o olhava e nada me disse. Levantou-se da cama desajeitadamente e dirigiu-se à casa da banho do seu quarto. Voltei-me a deitar sem nada dizer e olhava a porta da casa de banho. Conseguia ouvir o barulho da escova de dentes a esfregar a sua boca e o som da água a correr. De repente saiu da casa de banho. Dirigiu-se ao roupeiro e retirou um par de calças e uma camisola azul turquesa. Vestiu-se e voltou a calçar os chinelos de quarto. Aproximou-se de mim e sentou-se na cama.

- Eu confio em ti princesa.

- Eu sei que sim Gabriel. Mas tens de acreditar que é só um amigo, e nada mais.

- Sempre fui ciumento, sabes disso. - pousou a mão em cima da minha barriga.

- Sei disso - coloquei a minha mão por cima da dele.

Com isto, levantou-se da cama e saiu do quarto. Fiquei a pensar numa cena de ciúmes que um dia ele me fizera em plena luz do dia na estação de comboios. Tínhamos ficado aproximadamente um mês sem nos falarmos após essa discussão, e ele nunca mais tinha feito uma igual. Contudo, fiquei com medo do que ele iria dizer se soubesse que me iria encontrar com uma amigo, e que ainda por cima, já havia dormido na casa dele, sem o conhecer de lado algum. Decidi nem lhe contar. A desculpa seria mais uma vez a Marta. Sabia que não seria a melhor opção mentir-lhe, mas também não seria a melhor maneira contar-lhe de repente sabendo que ele era bastante ciumento. Fiquei-me pela omissão. Apenas lhe dissera que ia sair.

(...)

Depois de almoço, andei vagarosamente até ao quarto e vesti-me. Escolhi uns jeans claros da stradivarius, uma camisola vermelha de linha simples, e um casaco em tons de cinzento e vermelho, bastante quente. Vesti-me rapidamente e calcei os meus Adidas 6.0. Dirigi-me à casa de banho. Penteei o meu cabelo delicadamente para que não me magoasse. Coloquei um gorro azul e comecei-me a maquilhar, nisto o Gabriel entra na casa de banho.

- Vais sair?

- Vou.

- E não me dizias nada?

- Ia acabar por dizer, quando me visses a sair de casa.

- Está certo! - li na sua expressão facial que não lhe agradava o assunto.

- Não vais ficar chateado por não?

- Longe de mim - disse aquilo num tom bastante irónico.

Não lhe respondi, limitei-me a continuar a maquilhar-me. Coloquei um pouco de base Ivory, passei o lápis preto nos olhos, e coloquei um pouco de sombra branca a preta, fazendo um efeito esfumado. Passei nos lábios um pouco de batom claro, adorava aquele tom claro nos lábios, como se fosse batom do cieiro da Garnier. Sai da casa de banho. O Gabriel olhava-me de cima a baixo, o seu olhar dizia-me 'Onde vais assim vestida e assim maquilhada?'. Desviei o olhar do seu e peguei na minha mala castanha.

- Vou-me embora. - cheguei-me perto dele e beijei-o mordendo-lhe o lábio delicadamente.

- Não te demores.

- Está descansado.

Sai de casa e pus-me a caminho.

 

(...)

 

Já o via de longe. Esbocei um sorriso rasgado e comecei a correr desajeitadamente na sua direcção.

- Duarteeee! - agarrei-me a ele e dei-lhe um abraço tão apertado que quase senti medo de o sufocar.

- Isso são tudo saudades miúda?

- Muitas - sorri e reparei na sua figura desajeitada. Éramos o oposto de pessoas. Eu era uma rapariga simples, mas que se gostava de arranjar, maquilhar-me e andar particularmente bem vestida. Apesar de não me agradar dar nas vistas, acabava por acontecer. Pelo contrário, ele era bastante desajeitado, calças sempre rotas e a meio do rabo. Camisolas largas e o cabelo sempre penteado para o lado desajeitadamente. No entanto parecia que os apostos se atraiam.

- Que tens feito miúda? - olhou para mim de cima a baixo, como vestira um casaco largo, a barriga não se notara. Ele tinha aquela forma descontraida e ao mesmo tempo estranha de falar, chamando-me sempre ' miúda, dama ou rapariga '.

- Não tens a noção do que a minha vida mudou. - encostei-me a um muro de pedra e começamos a falar. Contei-lhe todas as desventuras da minha vida enquanto durante toda a conversa ele fumava e bebia, o que me incomodava um pouco.

 

 



Maria Inês às 12:50 | link do post | comentar

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