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  <title>Maria Inês</title>
  <subtitle>Maria Inês</subtitle>
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    <name>Maria Inês</name>
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  <updated>2012-02-06T14:06:09Z</updated>
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    <issued>2012-02-06T12:50:17</issued>
    <title>Capítulo 12</title>
    <published>2012-02-06T14:06:09Z</published>
    <updated>2012-02-06T14:06:09Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img style="border: 0pt none;" src="http://24.media.tumblr.com/tumblr_ljre1jQiiy1qho3ygo1_500.jpg" alt="" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Bom dia princesa - &lt;/strong&gt;acordei com uma suave voz a dar-me os bons dias e com um leve beijo na face. Abri lentamente os olhos. Gabriel estava-me a olhar com um ar muito doce, como se fosse a primeira vez que dormíamos juntos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Bom dia - &lt;/strong&gt;retribui.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Dormiste bem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Dormi sim amor - &lt;/strong&gt;sorri - &lt;strong&gt;porque é que ao fim de tantos dias que dormimos juntos perguntas-me sempre a mesma coisa?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Gosto de ter a certeza - &lt;/strong&gt;sorriu e deu-me um grande beijo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Está bem amor - &lt;/strong&gt;deitei a cabeça no peito dele e voltei a fechar os olhos. Sentia-me protegida por aquele rapaz que eu sabia que só me queria bem. Ele passava a sua mão pelos meus cabelos, sabendo que eu adorava quilo e que me fazia adormecer. Passou a mão na minha barriga que agora já se notava alguma altura. Ele adorava sentir aquele relevo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O som de mensagem do meu telemóvel acordou-nos aos dois. Levantei um pouco a cabeça e tentei chegar até ele. O Gabriel esticou o braço, pegou nele e deu-mo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Obrigado amor - &lt;/strong&gt;sorri.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ele retribuiu-me um sorriso ciumento. Olhei para ele mas nada disse. Peguei no telemóvel e li a mensagem.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Ainda te lembras de mim? Ass: Duarte"&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Fiquei um pouco incomodada com aquela mensagem. Fiquei a olhá-la durante uns longos segundos respondi:&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Duarte? Como conseguiste o meu numero rapaz? Estou muito contente por voltar a falar contigo. Beijinho"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Fechei a minha mão com o telemóvel no meio, e deitei-a sobre o peito do Gabriel. Não demorou muito a tocar novamente o som de uma mensagem recebida. O Gabriel olhou-me com um olhar reprovador.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Fiquei de conversa com o Duarte durante algum tempo até que o tema de conversa sumiu e deixamos de falar. Contudo, combinamos um encontro junto da praia.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Estavas a falar com quem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;C-com um amigo, porquê?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Olhou-me com um olhar que nunca me tinha olhado antes. Sentei-me na cama enquanto o olhava e nada me disse. Levantou-se da cama desajeitadamente e dirigiu-se à casa da banho do seu quarto. Voltei-me a deitar sem nada dizer e olhava a porta da casa de banho. Conseguia ouvir o barulho da escova de dentes a esfregar a sua boca e o som da água a correr. &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;De repente saiu da casa de banho. Dirigiu-se ao roupeiro e retirou um par de calças e uma camisola azul turquesa. Vestiu-se e voltou a calçar os chinelos de quarto. Aproximou-se de mim e sentou-se na cama.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Eu confio em ti princesa. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Eu sei que sim Gabriel. Mas tens de acreditar que é só um amigo, e nada mais. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Sempre fui ciumento, sabes disso. - &lt;/strong&gt;pousou a mão em cima da minha barriga.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Sei disso - &lt;/strong&gt;coloquei a minha mão por cima da dele.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Com isto, levantou-se da cama e saiu do quarto. Fiquei a pensar numa cena de ciúmes que um dia ele me fizera em plena luz do dia na estação de comboios. Tínhamos ficado aproximadamente um mês sem nos falarmos após essa discussão, e ele nunca mais tinha feito uma igual. Contudo, fiquei com medo do que ele iria dizer se soubesse que me iria encontrar com uma amigo, e que ainda por cima, já havia dormido na casa dele, sem o conhecer de lado algum. Decidi nem lhe contar. A desculpa seria mais uma vez a Marta. Sabia que não seria a melhor opção mentir-lhe, mas também não seria a melhor maneira contar-lhe de repente sabendo que ele era bastante ciumento. Fiquei-me pela omissão. Apenas lhe dissera que ia sair.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Depois de almoço, andei vagarosamente até ao quarto e vesti-me. Escolhi uns jeans claros da stradivarius, uma camisola vermelha de linha simples, e um casaco em tons de cinzento e vermelho, bastante quente. Vesti-me rapidamente e calcei os meus Adidas 6.0. Dirigi-me à casa de banho. Penteei o meu cabelo delicadamente para que não me magoasse. Coloquei um gorro azul e comecei-me a maquilhar, nisto o Gabriel entra na casa de banho.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Vais sair?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Vou.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;E não me dizias nada?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Ia acabar por dizer, quando me visses a sair de casa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Está certo! - &lt;/strong&gt;li na sua expressão facial que não lhe agradava o assunto.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não vais ficar chateado por não?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Longe de mim - &lt;/strong&gt;disse aquilo num tom bastante irónico.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Não lhe respondi, limitei-me a continuar a maquilhar-me. Coloquei um pouco de base Ivory, passei o lápis preto nos olhos, e coloquei um pouco de sombra branca a preta, fazendo um efeito esfumado. Passei nos lábios um pouco de batom claro, adorava aquele tom claro nos lábios, como se fosse batom do cieiro da Garnier. Sai da casa de banho. O Gabriel olhava-me de cima a baixo, o seu olhar dizia-me 'Onde vais assim vestida e assim maquilhada?'. Desviei o olhar do seu e peguei na minha mala castanha.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Vou-me embora. - &lt;/strong&gt;cheguei-me perto dele e beijei-o mordendo-lhe o lábio delicadamente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não te demores.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Está descansado.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sai de casa e pus-me a caminho.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Já o via de longe. Esbocei um sorriso rasgado e comecei a correr desajeitadamente na sua direcção.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Duarteeee! - &lt;/strong&gt;agarrei-me a ele e dei-lhe um abraço tão apertado que quase senti medo de o sufocar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Isso são tudo saudades miúda?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Muitas - &lt;/strong&gt;sorri e reparei na sua figura desajeitada. Éramos o oposto de pessoas. Eu era uma rapariga simples, mas que se gostava de arranjar, maquilhar-me e andar particularmente bem vestida. Apesar de não me agradar dar nas vistas, acabava por acontecer. Pelo contrário, ele era bastante desajeitado, calças sempre rotas e a meio do rabo. Camisolas largas e o cabelo sempre penteado para o lado desajeitadamente. No entanto parecia que os apostos se atraiam.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Que tens feito miúda? - &lt;/strong&gt;olhou para mim de cima a baixo, como vestira um casaco largo, a barriga não se notara. Ele tinha aquela forma descontraida e ao mesmo tempo estranha de falar, chamando-me sempre ' miúda, dama ou rapariga '.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não tens a noção do que a minha vida mudou. - &lt;/strong&gt;encostei-me a um muro de pedra e começamos a falar. Contei-lhe todas as desventuras da minha vida enquanto durante toda a conversa ele fumava e bebia, o que me incomodava um pouco. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-02T12:41:47</issued>
    <title>Capítulo 11</title>
    <published>2012-02-02T13:31:19Z</published>
    <updated>2012-02-02T13:31:19Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img style="border: 0pt none;" src="http://data.whicdn.com/images/14969983/Amor-Tumblr-casal_large.png" alt="" width="495" height="331" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt;Foi absolutamente horrível. Não tenho palavras para descrever a cara de 'serial killers' que aquelas pessoas tinham. Foram inicialmente bastante simpáticos para mim, mas depois os papeis inverteram-se. Mostraram-se interessados no meu caso, e interessados na minha opinião relativamente àquela situação. Mas de que servia isso? A minha mãe já havia tomado a decisão, sozinha. Eu não compreendia o seu ar angelical enquanto explicava ao médico toda a minha situação. Tinha mudado tão rapidamente de papéis. Na  sala de espera, quase me batera sem uma justificação plausível (a meu ver), e perante o médico, estava-se a mostrar como vitima nesta situação toda. Pelos vistos agora já não seria uma'doença'. Que hipocrisia! Meu querido diário, fica aqui escrito que eu não estou aborrecida nem revoltada pela decisão que a minha mãe tomara, eu consigo perceber que ... eu consigo apenas perceber a situação dela. Estou sim extremamente revoltada por ela conseguir virar o 'jogo' a seu favor e não querer saber da minha opinião para nada. Acredita, é absolutamente incrível como tudo aconteceu. As voltas que o mundo dá."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;2 dias antes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Fica à vontade ... - &lt;/strong&gt;mexeu na minha ficha informativa - ... &lt;strong&gt;Joana. - &lt;/strong&gt;disse o médico, com um olhar bastante compreensivo e ao mesmo tempo perturbado com a situação.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Como poderia eu ficar à vontade? Aquela sala só me fizera lembrar quando, na minha infância, ia para a quinta da minha avô ver os leitões nascerem, na presença de um veterinário. Aquelas 'ferramentas' todas, todos aqueles equipamentos e mascaras, parecia que iam mexer nalguma coisa contaminada. Fizeram-me sentir como lixo. Deitei-me na maca que se encontrava ao fundo da sala, escondida por trás de uma cortina azul bebé.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Quer que me deite em que posição? - &lt;/strong&gt;procurei quebrar aquele silencio ao mesmo tempo ensurdecedor.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Primeiro tens de despir a tua roupa e colocar esta bata - &lt;/strong&gt;apontou para uma bata que se encontrava sob um grande armário na parede perfeitamente dobrada. - &lt;strong&gt;e só depois deitas-te de barriga para cima e colocas as pernas bem enquadradas nisto - &lt;/strong&gt;empurrou uma espécie de canadianas para junto da maca.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Parecia que ia ter um bebé! Só me apetecia fugir dali. Que raio de crime cometi eu para me fazerem uma maldade daquelas? Podiam estar a pôr em risco o meu futuro como mãe. Sim! Eu li à cerca do aborto na internet e várias testemunhas confirmam que depois de fazerem um aborto na fase da adolescência, ao tentarem mais tarde engravidar, passam por um longo processo de tentativas até o conseguirem, e nem sempre conseguem. Mas dúvida que a minha mãe estivesse preocupada minimamente com isso. Sinceramente, não era o que mais me preocupava, mas sim a forma como o iriam fazer. Assustava-me imenso essa situação.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Coloquei-me isolada numa zona em que ninguém me conseguia observar e comecei a despir a minha roupa, quando começo a ouvir uma longa conversa vinda do exterior da sala. Aproximei-me o mais possíveis para tentar escutar a conversa.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Vocês não lhe podem fazer isso, aliás... vocês não nos podem fazer isso! - &lt;/strong&gt;Eu não queria acreditar na voz que me era bastante familiar ao ouvir aquela frase num tom bastante indignado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Mas quem é o menino para vir aqui dizer o que eu devo ou não fazer? Está a questionar a minha decisão? - &lt;/strong&gt;disse a minha mãe bastante irritada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Estou sim! Eu sou o pai e não autorizo que acabem com a vida do meu filho. E não quero mais discussões. - &lt;/strong&gt;o Gabriel estava-se a revelar uma pessoa que eu antes nunca tinha conhecido. Ele sempre tivera sido um rapaz bastante envergonhado, e nunca se atrevia a desrespeitar uma pessoa mais velha que ele, muito menos a levantar-lhe a voz daquela maneira. Isto seria um assunto assim tão delicado para ele que o fizera tomar esta atitude? Na minha opinião, nunca me parecera que se importara muito com isto, mas na verdade, este assunto mexia bastante com ele.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Não se atreva a faltar-me ao respeito! E baixe imediatamente o tom de voz!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Saia-me da frente por favor - &lt;/strong&gt;dito isto, entrou pela sala onde eu me encontrava. Olhou em redor. Por eu estar 'escondida' atrás da cortina, não me vira.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Joana? Estás aqui? Princesa, responde.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sai de trás da cortina semi-nua. Ele correu na minha direcção bastante atrapalhado e pegou-me nas mãos. Comecei a chorar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Eu respeito a tua decisão, mas é isto que tu queres, ou simplesmente é a isto que foste obrigada? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;As minhas mãos tremiam, as palavras que saiam da minha boca nãos e faziam ouvir, estava psicologicamente devastada, e ai apercebi-me disso. Ao mesmo tempo que chorava, soluçava e não conseguia dizer uma única palavra. Eu queria dizer que aquela decisão não era minha, e que eu estava a ser sujeita a uma situação que não queria. No entanto, não conseguia. Ele apertava-me as mãos como sinal de conforto. Apercebeu-se que eu estava bastante nervosa e deu-me um abraço muito apertado no preciso momento que entrou na sala a minha mãe e o médico.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Você não pode estar aqui. - &lt;/strong&gt;disse o médico um tanto irritado com toda aquela situação.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Retirou os seus braços que se encontravam em meu redor, e olhou o médico nos olhos. - &lt;strong&gt;Por esta miúda, eu faço tudo! Eu viro o mundo ao contrário se for preciso. É a única pessoa pela qual dou a vida. Quer você queria quer não, - &lt;/strong&gt;dirigindo-se à minha mãe - &lt;strong&gt; não a vai obrigar a tirar o bebé. Só ela pode tomar essa decisão. Se ela quer, e sente que consegue dar amor suficiente ao nosso filho, então ela vai conseguir. E não o vai fazer sozinha, vamos estar nisto juntos, até ao fim. - &lt;/strong&gt;olhou para mim e sorriu-me de orelha a orelha. Beijou-me (coisa que nunca tinha feito antes na presença dos meus pais) e pegou-me na mão. Retribui-lhe o sorriso e ganhei confiança suficiente para enfrentar a minha mãe.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"É um local diferente, um sítio distinto. No entanto, sinto-me em casa. Todos me tratam bem e não me olham como uma doente. Respeitam-me como pessoa e como cidadã do mesmo espaço que eles. Não me criticam nem pedem satisfações de qualquer coisa errada que eu faça. Tento fazer o melhor que consigo. Não sou perfeita, mas também ninguém o é. Não quero agradar a todos, mas estou grata por tudo o que as pessoas têm feito por mim. Ignoro os olhares reprovadores e angustiosos das pessoas. Não sou melhor de ninguém, mas também não o finjo ser. Mas sei ver quem está comigo ou contra mim. Agradeço a todos os que me apoiam e agradeço igualmente a todos os que me tentam arruinar. Obrigado aos que me querem bem por serem um pilar indispensável na minha vida. Obrigado aos reprovadores, mas tentem outra vez, ainda não foi desta que cai. "&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Espero que tenham gostado,&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Maria Inês.&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-01-30T13:18:45</issued>
    <title>Capítulo 10</title>
    <published>2012-01-30T14:07:22Z</published>
    <updated>2012-01-30T19:09:57Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img style="border: 0pt none;" src="http://30.media.tumblr.com/tumblr_ldllurLxyJ1qelx7go1_500.jpg" alt="" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;" &lt;em&gt;Há muito tempo que não sei nada de ti Joana. Tens andado desaparecida na escola, passa-se alguma coisa? Só te vejo nas aulas, extremamente desatenta e assim que toca, someste. Estou muito preocupada contigo, o que se passa? Assim que vires a sms responde, beijinhos , Marta "&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Acordei com o barulho do telefone. Quem seria àquelas horas? Peguei no telemóvel que se encontrava em cima da minha mesa de cabeceira, olhei para o ecrã e eram 02:36h da manhã. Suspirei e abri a mensagem. Li-a em voz baixa e não sabia se havia de responder ou devia de omitir os últimos acontecimentos à minha melhor amiga. Sabia que era verdade tudo o que ela dizia, eu havia-me andado a esconder e refugiar nos meus próprios pensamentos, e não duvidara que estivera preocupada comigo, bastante preocupada. Decidi responder-lhe.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;" Desculpa Marta. Não sei o que te diga. A minha vida tem andado um caus autêntico e só me apetece estar sozinha. Amanhã falamos e eu conto-te tudo. Beijinhos, boa noite. "&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Pousei o telemóvel ao lado da minha almofada e virei-me para o lado contrário onde ele se encontrava. Cerrei os olhos e voltei a ouvir o toque de mensagem do meu telemóvel. Peguei-lhe novamente: "&lt;em&gt;Não consigo dormir, achas que te posso ligar? Aproveitávamos e falavas já comigo o que tens para falar. Beijinhos ".&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Olhei para o telemóvel e sorri. Lembrara-me perfeitamente quando passávamos noites a fio ao telemóvel a falarmos de coscuvilhices e situações engraçadas que se passaram naquele dia. Nunca me fartara de ouvir as gargalhadas ensurdecedoras dela. Era uma rapariga relativamente baixa e morena. Sempre a tinha achado bastante diferente das outras pessoas e eu gostava disso. Segundo ela " era uma edição limitada ". Decidi ligar-lhe.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Então não consegues dormir e sou eu que pago com as culpas? ahah&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Ninguém te manda teres a melhor amiga mais chata do mundo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Nunca reclamei pois não?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ficamos imenso tempo a 'reclamar' uma com a outra sobre as horas e sobre o dia que amanhã nos esperava, iríamos ter teste de Matemática. Ao fim de algum tempo de conversa, percebi perfeitamente que ela queria tocar no assunto, mas não sabia como, por isso toquei eu.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Se queres falar sobre o que se passa comigo porque não falas de uma vez? Já te conheço rapariga!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Só queria que falasses se tivesses preparada, não te quero forçar a falar do que não queres.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Tá ceeerto - &lt;/strong&gt;ficamos em silêncio durante breves segundos e finalmente ela interrompeu-o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Afinal ... o que se passa contigo? Não te consigo encontrar nos intervalos da escola, não respondes minimamente às minhas provocações ao stôr de educação física. Isso preocupa-me.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Nem tenho reparado nisso, vê lá..&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Eu sei que andas a passar uma fase... diferente da tua vida. Mas não menosprezes os teus amigos. O Gabriel anda super mal por tua causa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não tenho tido a mínima paciência para lhe explicar e falar com ele sobre isso. E se ele realmente estivesse preocupado sabia muito bem onde me encontrar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não comeces a complicar as coisas. Sabes que ele respeita imenso o teu espaço e que espera o tempo que for preciso para que tu estejas preparada para desabafar com ele sobre toda a vossa situação.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Marta, eu não fiz esta criança sozinha. No entanto, sou a única que sofre as consequências e sou a única que me preocupa com tal. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Não me respondeu a tal insinuação, acho que tomou a frase por se integrar nela também.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Desculpa então. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não estou a falar de ti, mas sim do Gabriel. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Tá certo, tá certo. Olha estou a ficar com sono, obrigado por este bocado de conversa. Até amanhã, beijos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Desligou o telemóvel sem me dar o mínimo tempo de lhe desejar boas noites. Fiquei irritada e mandei o telemóvel bruscamente para o chão. Agarrei muito forte a almofada e comecei a chorar desalmadamente. O que estaria errado na minha vida? Será que seria eu que estava a pensar de maneira errada e a culpar os outros que só me queriam bem? A minha cabeça estava num turbilhão de emoções e não conseguia adormecer. Levantei-me e peguei no meu diário, onde não escrevia à bastante tempo. Sentei-me à minha secretária e comecei a escrever.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;" O problema será meu? Qual será o meu papel no meio desta situação toda? A minha cabeça não aguenta mais emoções e tenho de me manter calma, mas como? Ninguém me dá a devida atenção. Os meus pais acham que estou doente, não querem saber do meu irmão, e consequentemente estou a ser 'mãe' mais cedo do que o esperado; a minha melhor amiga não me compreende e pensa que eu a ando a ignorar; o Gabriel lixou-se completamente se eu estou grávida de um filho dele ou não, até arrisco a dizer que nem sequer quer saber do meu bem-estar; as minhas notas escolares estão uma miséria devido à minha falta de concentração nas aulas e à falta de estudo. Enfim, &lt;/em&gt;&lt;em&gt;tenho a vida de pernas para o ar. Porque será que os meus pais não aceitam este meu erro? Iria me fazer sentir bastante melhor o seu apoio, nem que fosse somente o deles. Por outro lado, será que custa assim tanto ao Gabriel enviar-me uma sms a perguntar se está tudo bem comigo e com o bebé? Eu só quero estabilidade na minha vida. "&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me da cadeira e dirigi-me à cama. Senti que pisava um objecto e olhei para o chão. Peguei no telemóvel que tinha pisado e perguntei-me que horas seriam? Olhei para o ecrã do mesmo: 04:56h. Faltava pouco tempo para ter de me levantar. Decidi que o melhor seria ir dormir, pois teria teste às 08:30h e o estudo não tinha sido muito. Coloquei o telemóvel em cima da cadeira e deitei-me. Adormeci de imediato.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Joana, a mamã disse que o pequeno almoço estava pronto.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Olhei para a porta do meu quarto e o meu irmão tinha a cabeça do lado de dentro do mesmo. Achei-lhe imensa piada, pois eu olhei para uma altura minimamente aceitável para um adulto na direcção da porta, e ao não ver ninguém, baixei o olhar e observei a pequena cabeça o meu irmão.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Diz-lhe que eu vou-me só vestir e já desço.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Acenou afirmativamente com a cabeça e voltou a fechar a porta do quarto. Espreguiçei-me ainda deitada. Levantei-me e abri a janela. Olhei-me ao espelho de parede pensando no que iria vestir. Abri a porta do meu armário e retirei de lá uns calções de ganga e uma camisola cinzenta simples. &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Vesti-me rapidamente e calcei os meus all stars cinzentos. Dirigi-me à casa de banho e penteei o meu longo cabelo e deixei - o solto; lavei a cara e não tive paciência para me maquilhar, no entanto, coloquei apenas alguma base para colorir um pouco a minha face pálida. Sai do quarto e dirigi-me à cozinha onde já se encontravam todos à mesa a tomar o pequeno-almoço. Olhei para todos enquanto comiam, peguei num iogurte e sentei-me no sofá preto de pele de costas para eles.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Precisamos de falar Joana, senta-te aqui connosco. Martim, vai para o teu quarto. - &lt;/strong&gt;disse a minha mãe.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;O Martim fica, não tenho segredos para o meu irmão. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Sobe Martim. - &lt;/strong&gt;a minha mãe voltou a ordenar-lhe que fosse para o quarto e o pequeno obedeceu-lhe.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Levantei-me do sofá com o iogurte de pinaculada na mão e sentei-me na cadeira mais afastada dos meus pais. Fiquei a olhá-los à espera que se manifestassem.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Eu e o teu pai estivemos a falar e decidimos que não vais ter essa criança. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Choquei. Não queria acreditar no que a minha mãe tinha dito. Olhei-a e estava com uma expressão bastante convicta de si. Do meu pai já não se podia dizia o mesmo, arriscaria a dizer que estaria a fazer os possíveis e impossíveis para não começar a chorar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Vocês não podem tomar essa decisão sem o meu consentimento. Eu é que estou grávida, e só eu posso dizer se quero ou não ter esta criança.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Espero que tenham apreciado positivamente este capítulo e peço que critiquem a minha história.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Apelo para a relação entre o seguimento dos próximos capítulos e o primeiro.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Caso não tenha comentários e criticas à minha história, vou pensar se valerá a pena continuar a postar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Beijinhos, Maria Inês.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:in-my-place:2469</id>
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    <issued>2012-01-25T16:06:07</issued>
    <title>Capítulo 9</title>
    <published>2012-01-25T16:10:41Z</published>
    <updated>2012-01-25T16:19:26Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://www.flickr.com/photos/72345863@N02/6662058549"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://farm8.staticflickr.com/7144/6662058549_efef5afbd0.jpg" alt="" width="415" height="276" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Hoje o meu irmão está doente. Estou bastante preocupada com o que se poderá passar com ele. Acordei com o seu choro e fiquei bastante intrigada com a aflição que o mesmo exprimia. Apesar de estar bastante frio, levantei-me apressadamente, vesti o roupão que estava numa cadeira onde colocara toda a minha roupa que havia vestido e corri até ao quarto dele. Os meus pais nem se tinham mexido da cama, o que incrivelmente não me impressionava. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entrei no quarto do meu querido irmão, ele encontrava-se deitado na sua cama e sentei-me junto dele. Coloquei levemente a palma da minha mão na sua testa. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Que horror! Estás a arder. - &lt;/strong&gt;calei-me de imediato. Não sabia se devia de ter dito aquilo, não queria preocupar demasiado o pequeno - &lt;strong&gt;Mãe? Pai? - &lt;/strong&gt;gritei - &lt;strong&gt;cheguem aqui, rápido!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Ouvi o som dos seus passos apressados no chão flutuante da nossa casa.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Joana não sabes que horas são? Estás a gritar tanto para quê?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;- &lt;strong&gt;Não te faças de parva mãe! Ouviste perfeitamente o Martim a chorar. Ele está a arder em febre, faz alguma coisa rápido.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;- &lt;strong&gt;Não me faltava mais nada se não agora ter dois doentes em casa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Fiquei com um ar espantado a olhar a minha mãe, não queria acreditar no que ela tinha dito. Considerava-me uma doente por estar grávida e, no entanto 'não lhe faltava mais nada' ter que cuidar o filho dela que estava doente. Ignorei o que ela dissera. Destapei o meu irmão, despi o pijama polar que ele tinha vestido e tapei-o novamente. Sai apressadamente do quarto e dirigi-me à casa de banho. Abri a torneira da banheira e esperei que ela enche-se um pouco. Caminhei novamente até ao quarto do meu irmão. Peguei-o ao colo cuidadosamente e levei-o até à casa de banho. Sentei-me na beira da banheira e coloquei-o ao meu colo enquanto lhe despia os pequenos boxers. Introduzi o pequeno dentro da banheira.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Está friiiia ! - &lt;/strong&gt;li a sua expressão facial, mostrava-se um pouco aflito.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Tem de ser amor, estou a tentar que a febre passe ou que pelo menos baixe um pouco. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Está bem. - &lt;/strong&gt;fez um ar um pouco descontente. Tinha as bochechas um tanto rosadas. Enquanto o deixei alguns minutos dentro da banheira fui ao encontro de um termómetro.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Coloca isto debaixo do braço Martim - &lt;/strong&gt;estiquei a mão.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Assim?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Dei um jeito à maneira como o colocara de baixo do braço. Esperado algum tempo o barulho suou e retirei-lhe o objecto.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Ai meu deus! - &lt;/strong&gt;assustei-me um pouco.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O meu irmão estava com 39 graus de febre e eu não sabia o que fazer. Não ajudando à situação, os meus pais não se importavam minimamente com o que se estava a passar. Por momentos parecera que se tinham esquecido que tinham dois filhos, eu já nem me importava minimamente com o facto de eles não quererem saber de mim, mas o meu irmão não havia tido culpa da minha 'doença', como eles lhe chamavam. Olhei para o meu irmão que se resfriava com a água. Como já passara algum tempo desde que ele lá se encontrava, retirei-o e sequei-o com a sua pequena toalha do winnie the pooh. Enrolei-o na mesma toalha e levei-o até ao quarto. Deitei-o em cima da cama e tapei-o mesmo estando um pouco molhado. Liguei um pequeno aquecedor a óleo e fui vestir de novo o pijama ao pequeno. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Que tenho eu mana? - &lt;/strong&gt;percebi de imediato que o meu irmão estava assustado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não sei Martim, mas logo que o dia nasça e durmas um pouco vamos ao hospital. - &lt;/strong&gt;tentei tranquiliza-lo dizendo que ia ser visto por um especialista, no entanto não tinha sido suficiente, e eu compreendia-o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Mas quando eu estava doente a mãe vinha-se deitar comigo.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Queres que eu lhe pessa que ela se venha deitar contigo? -&lt;/strong&gt; não sabia se tinha sido boa ideia perguntar-lhe tal coisa, pois sabia que jamais a minha mãe se iria deitar com o seu filho mais novo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Por favor.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Dirigi-me ao quarto da minha mãe com o coração nas mãos. Caminhava lentamente com receio do que ela poderia dizer. Ganhei força e fúria e enfrentei-a irracionalmente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Mãe, o Martim quer te junto a ele.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Agora? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Sim, haveria de ser quanto?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Fitou-me e sem nada dizer levantou-se da sua cama e caminhou desajeitadamente até ao quarto do meu irmão. Ouvi palavras de conforto e carinho trocadas entre os dois, o que me deixou um pouco na dúvida relativamente à sua intenção. Cheguei-me junto da porta do quarto do pequeno, e olhei discretamente o interior do quarto. Estavam os dois deitados, a minha mãe embalava-o lentamente enquanto cantava uma melodia de embalar. Esbocei um leve sorriso e decidi ir-me deitar, estava relativamente cansada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Espero que tenham gostado, e desculpem a demora.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Beijos, Maria Inês&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-01-08T15:02:01</issued>
    <title>Capítulo 8</title>
    <published>2012-01-08T16:05:11Z</published>
    <updated>2012-01-08T18:28:02Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://www.flickr.com/photos/72345863@N02/6660133167"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://farm8.staticflickr.com/7020/6660133167_cdba4884bb.jpg" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;"&lt;em&gt; Decidi começar a escrever um pequeno diário para poder desabafar sobre todos os acontecimentos da minha vida. Quero interpretar-te como um grande amigo e não como um simples diário onde escrevo todos os meus desabafos. Passaram duas semanas e muita coisa mudou na minha vida. Não sei por onde começar, mas talvez ... pelo inicio. Os meus pais abandonaram-me a mim e ao meu irmão à duas semanas atrás, o que trouxe um grande mar de incertezas a esta casa, uma grande angústia e sobretudo uma dor incurável. Ainda hoje não sei o que lhes passou pela cabeça, ou melhor, o que lhe passou pela cabeça. Foram uns dias horríveis quando estava só com o meu irmão. Senti que tinha de ser eu a mãe dele. Não sabia como o fazer mas era o meu papel e a minha obrigação. Tentei que ele ultrapassa-se isto e tentasse esquecer, mas sobretudo dei-lhe apoio e fui lhe explicando tudo o que ele me perguntava à cerca do abandono por parte dos meus pais. Não, não lhe escondi nada à cerca disso. Ele tem o direito de saber, e não quis que um dia mais tarde viesse a descobrir de outra maneira, na minha opinião seria um choque ainda maior saber de repente o que se passara na sua infância, do que se ir adaptando aos poucos a esta mudança louca na sua vida. Ainda acho que foi a decisão mais correcta. Após alguns dias, eu havia acabado de conseguir adormecer o meu irmão quando ouvi alguém a bater à minha porta. Já me tinha passado a esperança de que os meus pais aparecessem novamente. Tal não era o meu espanto quando abri a porta e ... Gabriel! O meu 'namorado' estava à porta da minha casa, com um ramo de flores enorme na mão e um sorriso embaraçoso na cara. Não queria acreditar que ele estava ali. Apesar de eu saber que ele não me tinha procurado nestes dias tão difíceis da minha vida, abracei-o de imediato e beijei-o incontrolavelmente. Pedi-lhe que ficasse comigo nessa noite e ele realizou o meu pedido. Ficamos a noite toda a conversar sobre o que se tinha passado. Eu esquecera-me completamente que ele me tinha dito que ia de viagem com os pais durante a primeira semana das férias de natal. Quando lhe contei toda a história ele ficou boquiaberto. Limpou-me as lágrimas, abraçou-me e esteve sempre ali a meu lado quando eu estava cabisbaixo. Quando adormecemos os dois no sofá da minha sala de estar acordei com um grande estoiro na porta da rua. Dei um salto do sofá e acordei o Gabriel. Impressionara-me o seu sono particularmente pesado. Ele foi averiguar quem estava a tentar entrar dentro de casa enquanto eu fui para junto do meu irmão, tentando que ele não acordasse. Os meus pais estavam de volta a casa. ... "&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;(...)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não nos queres fazer companhia ao jantar? - &lt;/strong&gt;perguntou a minha mãe enquanto punha a mesa para o jantar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não tenho pais! &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Não te admito uma coisa dessas estás a ouvir menina Joana?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Nem te pedi que admitisses. Perdi todo o respeito por vocês. Todo entenderam? Desde o momento que e abandonaram a mim e ao Martim e isso nunca irá acabar! Nunca! - &lt;/strong&gt;peguei na mão do meu irmão e subimos as escadas. Não quis ouvir nem mais uma palavra da discussão que a minha mãe estava constantemente a querer instalar sobre aquele assunto. Ainda não me tinha recomposto do que eles fizeram. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Não queres voltar a estar bem com os pais Joana?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Não amor, os pais nem sempre são os de sangue meu querido - &lt;/strong&gt;abracei o meu irmão e sentei-o ao meu colo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Podes me explicar porque eles foram embora naquele dia?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Um dia vais perceber príncipe. - &lt;/strong&gt;queria que fossem os meus pais a explicar-lhe o porque daquele abandono tão peculiar. Mas sabia que iria esperar aquele momento até ao fim dos meus dias, os meus pais eram demasiado cobardes para assumir tão grande erro. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Eram 22:00 horas do mesmo dia e tinha combinado uma saída para descomprimir com a minha melhor amiga. Peguei no telemóvel e mandei-lhe uma mensagem '&lt;em&gt;22:30 horas junto ao sinal de stop na rua da escola, não te atrases. Beijo'&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;A&lt;/em&gt;dorava a minha melhor amiga, mas odiava a sua falta de horários e rotinas. Depois de ter jantado com o meu irmão pedi-lhe que se portasse bem na minha ausência e subi para o meu quarto. Vesti uns calções que ganga escura que me tinham sido oferecidos no natal pelo Gabriel e uma camisola simples preta. Calcei os meus Vans pretos e dirigi-me à wc do meu quarto. Penteei o meu longo cabelo escuro e fiz várias tentativas de o conseguir atar com um elástico, mas parecia que ele estava a querer ir solto. Passei o lápis preto pelos meus olhos e dei-lhe um pouco de brilho com uma junção de sombra branca e prateada, coloquei nos lábios um pouco de gloss transparente e estava pronta para sair de casa. Olhei para o relógio e faltavam 10 minutos para o encontro. Como a escola ficava a pouca distância dali, não sai logo de casa. Voltei ao quarto, coloquei algumas coisas indispensáveis dentro da minha mala D&amp;amp;G ( falsa claro ), tais como o telemóvel, lenços de papel, o meu lip gloss, a carteira e algum dinheiro dentro da mesma. Juntei-me ao meu irmão na sala. Encontrava-se a ver o Phineas &amp;amp; Ferb no Disney Channel. Aqueles desenhos animados agradavam-me particularmente. Olhei o relógio e faltam apenas 5 minutos para o encontro. Levantei-me do sofá e dei um leve beijo na testa do meu irmão.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Porta-te bem sim miúdo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Siiim! Eu prometo que vou para cama às 23:00 horas e que não me esqueço de lavar os dentes. - &lt;/strong&gt;falou-me com um tom irónico. Acho que já o tinha chateado demasiado com a hora de deitar e a lavagem dos dentes, mas nunca é demais alerta-lo. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sai de casa e fechei a porta com cuidado, não tinha avisado os meus pais que ia sair. Nem o ia voltar a fazer.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Comecei a avistar o sinal onde havia combinado com a Marta e por incrível que pareça, ela já estava à minha espera. Olhei o relógio desconfiada e eram 22:30 horas em ponto.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Hoje foste tu que me deixas-te à seca! - &lt;/strong&gt;sorriu-me&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;É verdade. Foi uma vez em 16 anos, nada mau.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Que piada tão sem piada Joana.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Oh, não pode calhar sempre ao mesmo admite ahah.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Pronto, leva lá a bicicleta. - &lt;/strong&gt;ela dizia-me sempre isto quando não queria teimar mais comigo. Abraçamo-nos e começamos a andar alegremente até ao café da esquina onde tínhamos combinado com mais alguns amigos, incluindo o Gabriel.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Como estão as coisas com os teus pais? - &lt;/strong&gt;perguntou-me um pouco apreensiva.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não estão. Não quero falar disso, os meus pais para mim morreram. Só tenho pena do meu irmão.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nada me respondeu, mas li na sua cara que me compreendia e tinha imensa pena de tudo o que se estava a passar. Ela era das poucas pessoas que sabia de tudo o que se estava a passar na minha vida. Só ela e o Gabriel sabiam que eu estava grávida, e não queria que mais ninguém soubesse. Iria esconder aquele assunto até ser impossível. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Sabes que estou aqui para o que precisares, e nunca te vou limpar as lágrimas, vou sim chorar contigo. - &lt;/strong&gt;aquela frase tocou-me, e não sabia o que havia de dizer. Simplesmente agradeci, não poderia fazer mais nada. Era sem dúvida uma das melhores pessoas que já tinha conhecido durante toda a minha vida. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Divertimo-nos imenso durante toda a noite. Bebemos café todos juntos e mais tarde fomos a uma discoteca descontrair um pouco. Foi uma noite bem passada e cheguei a casa bastante tarde. Quando me deitei olhei o meu relógio de pulso e fiquei extasiada, eram 6:15 da manhã. Não me preocupei muito e adormeci de imediato. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Surpreendidos? Espero que tenham gostado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Beijinhos, Maria Inês&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-01-08T13:52:23</issued>
    <title>Capítulo 7</title>
    <published>2012-01-08T14:59:55Z</published>
    <updated>2012-01-08T15:01:14Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://www.flickr.com/photos/72345863@N02/6533515813"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://farm8.staticflickr.com/7143/6533515813_787f7cbd5a.jpg" alt="" width="500" height="334" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Mãe? Pai? Estão em casa? - &lt;/strong&gt;gritara com tremor na voz.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém me havia respondido. Pousei as malas no chão do hall e percorri todas as divisões da casa, o chão estava com pequenas manchas de espuma no chão. Não sabia exactamente o que, mas algo gelado me atravessou o corpo. Subitamente congelei e parei de caminhar. Fiquei perplexa. Acabara de ficar perturbada com uma situação que brincara durante imenso tempo. Lembrara-me quando a minha amiga Margarida me confrontara com uma imensidão de programas televisivos ou livros que havia visto sobre espíritos e assuntos do género. Ela acreditava em espíritos, e lembrara-me que um dia me havia dito que quando sentimos um grande arrepio gelado seria supostamente um espírito a passar pelo nosso corpo. Não sabia porquê, mas lembrara-me disso e ainda me arrepiei mais. Aquilo havia-me deixado perturbada.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Joana? Onde andaste?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Martim? - &lt;/strong&gt;corri até ao meu irmão e abracei-o tanto que senti que o ia esmagar. Olhei-o e ignorei a pergunta dele - &lt;strong&gt;O pai e a mãe? Eles estão bem?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhou fixamente para mim e nada me respondeu. O meu irmão tinha apenas 6 anos, mas desde muito novo diagnosticaram que ele seria sobredotado, percebia tudo o que diziam, mesmo não sendo uma conversa a seu respeito. Aquele menino era incompreensivelmente inteligente, no entanto, como eu nunca havia lidado com nenhuma pessoa com aquele tipo de diagnostico, ainda não interagia muito bem com ele.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Eu não sei mana - &lt;/strong&gt;li na sua expressão facial que alguma coisa não estava bem.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Como não sabes? Eles estão onde?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Já disse que não sei Joana. - &lt;/strong&gt;começou a chorar. Agarrou o meu pescoço impulsivamente e mergulhara a sua cabeça no meu longo cabelo não me deixando olhar a sua cara chorosa. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Conta-me o que se passou, porque estás assim?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Eu tenho fome Joana.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Tens fome? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Sim&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele momento o meu corpo congelou completamente. O meu irmão estava com fome? Porquê? Onde estariam os meus pais? Um turbilhão de perguntas invadiam o meu pensamento e fiquei perplexa a sentir aquele abraço apertado do meu irmão. De repente voltei a cair na minha consciência. Voltei à realidade e peguei o meu irmão ao colo de imediato. Desci as escadas até ao rés-do-chão e dirigi-me à cozinha. Não sei porque mas sentei-o em cima da mesa, a minha mãe odiava que nos sentasse-mos em cima da mesa, naquele momento parecia que ouvia a minha mãe a gritar para que tirasse o meu irmão dali com fim a ele não se magoar. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Queres que te prepare o que para comeres?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele sorriu-se - &lt;strong&gt;Pode ser ovos mexidos com salsichas? - &lt;/strong&gt;ele sabia que o podia comer, somente quando a minha mãe não se encontrava por perto. Ela fazia sempre um escândalo quando eu fazia alimentos fritos para o meu irmão. Um dia ele havia-me pedido para lhe fritar batatas para acompanhar com a carne ao almoço, e eu pensei que não havia problema pois a minha mãe só chegaria de noite a casa. No entanto a minha mãe tem um faro muitíssimo apurado, pois mesmo passado imensas horas entrou em casa e cheirou-lhe a fritos. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Pode sim - &lt;/strong&gt;sorri-lhe. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto lhe preparava aquele pequeno aperitivo voltamos a conversa.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Podes-me contar agora o que se passou com os pais? Onde eles tão Martim? - &lt;/strong&gt;tinha imenso medo da sua resposta.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Eu só sei que houve uma grande discussão.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Como assim discussão? - &lt;/strong&gt;olhei para ele.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Vou-te contar tudo o que sei - &lt;/strong&gt;falou-me num tom um pouco intelectual e saiu de cima da mesa para se sentar numa cadeira - &lt;strong&gt;No dia que tu tiveste alta no hospital o pai ficou muito feliz e de imediato arrumou todas as suas coisas e algumas tuas e ia a caminhar até ao carro com fim a ir-te buscar. Eu estava na cozinha com a mãe a ajuda-la a ensaboar a loiça, e ela saiu da cozinha bruscamente quando ouviu o pai a arrumar todas as coisas apressadamente. Sinceramente assustei-me um pouco quando vi toda aquela pressa dela em direcção ao pai, tive imenso medo. Começaram numa grande discussão no hall de entrada mesmo com a porta da rua aberta. Eu não quis ouvir mais nada e subi as escadas. Subi com as mãos algo molhadas e sujei um pouco o chão com espuma. Mas não me preocupei com isso. Entrei no meu quarto, deitei-me na cama e coloquei uma almofada por cima da cabeça. Joana ... a discussão estava mesmo muito feia. Subitamente deixei-me dormir, nem sei como - &lt;/strong&gt;parou se falar e começou a chorar novamente. Fitei-o e aproximei-me dele, abracei-o confortavelmente e acariciei-lhe a cabeça com movimentos rotativos. &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Continua amor. Não tenhas medo. - &lt;/strong&gt;como lhe poderia dizer para não ter medo se eu própria o tinha?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- A discussão estava feia e quando despertei fiquei receoso. Fiquei um tempo ainda deitado na cama e aos poucos fui retirando a almofada de cima da cabeça para tentar ouvir se alguma coisa ainda se passava. Não sabia minimamente que horas eram mas estava noite escura. Levantei-me e dirigi-me ao piso de baixo. Não encontrei ninguém, nunca mais vi os pais desde o momento em que subi as escadas para não os ouvir.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti que o meu mundo ia acabar perante os meus olhos. Não sabia o que dizer ao meu irmão, mas tentei acalma-lo dizendo que iria ficar tudo bem. Dirigi-me de novo ao fogão e coloquei os ovos mexidos em dois pratos, sentei-me numa cadeira ao lado do meu irmão e começamos a comer impulsivamente sem nada dizer. Não sabia o que fazer nem como fazer. Onde estariam os meus pais? Naquele momento não estava aborrecida por não me ter ido buscar ao hospital, estava sim aborrecida por terem abandonado o meu irmão, porque sim ... aquilo seria um abandono.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;Espero que tenham gostado tanto quanto eu.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;Beijinhos, Maria Inês.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;Desculpem a demora a postar&lt;/div&gt;</content>
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    <issued>2011-12-18T16:25:52</issued>
    <title>Capítulo 6</title>
    <published>2011-12-18T19:02:35Z</published>
    <updated>2012-01-08T00:06:07Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://www.flickr.com/photos/72345863@N02/6531902133"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://farm8.staticflickr.com/7009/6531902133_31b8c7bc63.jpg" alt="" width="400" height="271" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Aquela noite foi particularmente difícil de passar. Não faço ideia se seria uma das muitas insónias que eu havia já tido, ou se seria simplesmente por estar numa casa desconhecida, na cama de um desconhecido e por não saber o paradeiro da minha família e amigos. Pensei em bastantes hipóteses de voltar para casa. Lembrei-me que afinal estava apenas a 20 minutos de distância, sensivelmente a 30 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Acordei pela primeira vez e eram 03:00 horas da manhã. Sonhara que tinha caído num poço, ficando presa pela camisola, o que me impedia de cair no precipício. Tentei adequar aquele sonho aos meus últimos dias. Pensei que o poço simbolizasse a minha vida, no qual eu me encontrava equilibrada e de um dia para o outro havia caído num grande erro, que eu interpretava pelo facto de ter engravidado. No entanto não associava a nada o facto que estar presa pela camisola, pensei que posse alguém que estaria ou queria-me ajudar, embora eu não soubesse quem era. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Se eu me encontrasse com dinheiro seria tudo bastante mais fácil, pois poderia apanhar um autocarro ou um táxi de volta a casa. No entanto, estava sem dinheiro, sem telemóvel e sem maneira como contactar os meus entes queridos. Pensei em pedir algum dinheiro a Duarte, mas ele já me tinha deixado dormir em casa dele esta noite, não queria abusar demasiado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Depois de tanto pensar, acabei por adormecer sem nada decidir. Dormi irregularmente, pois estava sempre a acordar, até que me fartei daquela sensação incompreensível. Olhei para o pequeno relógio de parede, eram 06:45 horas e já os primeiros raios de sol entravam pela janela que havia ficado mal fechada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Levantei-me na cama, peguei na minha mala onde se encontrava toda a minha roupa e retirei uns calções de ganga e uma camisola branca com letras pretas, vesti-me silenciosamente para não acordar Duarte. Coloquei todas as minhas coisas arrumadas dentro da minha mala, coloquei a cama arrumada, calcei as minhas Uggs castanhas. Pensei que sair dali sem lhe agradecer seria bastante indecente da minha parte, mas não o queria acordar e dizer que me iria embora, pois ele não iria deixar. Retirei de dentro da minha mala um bloco e uma caneta que costumava utilizar para escrever os meus testes e trabalhos de casa. Arranquei uma folha desajeitadamente e escrevi uma mensagem de despedida:&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; - "Quando leres isto já não saberás onde me encontrar. Só queria agradecer tudo o que fizeste por mim. Deste-me casa, conforto, cama, mas sobretudo deste-me amor. Queria-te agradecer por tudo isso e acredita que nunca me ireia esquecer de ti. Acredita que eu tive de ir embora, não sei ao certo para onde, mas o meu lugar não é aqui, não pertenço aqui. Essencialmente escrevi isto porque achei que seria cruel partir em busca do meu novo eu e simplesmente menosprezar-te depois de tudo o que fizeste por mim. Peço-te que não te preocupes comigo porque certamente estarei bem e brevemente de volta a casa. Aguardo o reencontro. Beijinhos, Joana. P.S. Adorei conhecer-te."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Coloquei o pequeno bilhete em cima da cama. Coloquei a mão dentro da minha mala e retirei de lá uma caneta que me havia sido oferecida pelo meu avô em tempos. Tinha o meu nome gravado numa letra bem redondinha. Adorava aquela caneta, era uma recordação bastante positiva. Sabia que possivelmente nunca mais a iria ver, mas sabia que consequentemente estaria em boas mãos, e sempre que fora escrever com ela, se lembraria de mim. Coloquei a caneta junto do bilhete e, pegando nas minhas malas, sai da casa do rapaz que tanto gostava. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Caminhava pelas ruas, não sabia ao certo onde estava nem para onde ia, mas já havia passado bastante tempo desde que saíra da casa do rapaz. Olhei para o relógio que trazia no pulso. Eram 09:34 horas da manhã. Sentia bastante fome, mas sabia que não poderia comer nas próximas horas, ou mesmo nos próximos dias. Sentei-me num passeio junto a uma estrada, agarrei as minhas pernas contra o peito e pousei as malas no chão. De repente havia tido uma ideia. Arregacei as mangas da blusa desajeitadamente e coloquei o braço esticado na esperança que algum carro parasse, no momento nem me passou pela cabeça do perigo que poderia estar a correr. O desespero de voltar para casa era imenso.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;-A menina quer boleia para onde? - &lt;/strong&gt;olhei para um carro que ao fim de algum tempo parou junto a mim.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Desejava ir para a cidade mais próxima daqui, fica apenas a 30 km salvo erro - &lt;/strong&gt;não sabia ao certo quantos quilómetros eram, mas era indiferente, sabia que era a cidade que se seguia àquela. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Entre menina, eu passo por lá. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entrei no carro e fiquei receosa apenas depois de o ter feito. Olhei o homem que conduzia o carro. Com pouca margem de erro, arriscaria a dizer que o senhor teria sensivelmente 50 anos. Tinha o cabelo um tanto grisalho e os olhos bastante escuros. Reparei de imediato que me deparava com um senhor com posses financeiras. Para além de estar sentada num Audi TT o senhor encontrava-se vestido de smokin preto e tinha o nó da gravata particularmente bem feito. Reparei que tinha uma pasta preta pousada em cima do banco traseiro ao meu lado. Comecei a imaginar a quantidade de coisas que aquela pasta empresarial continha no seu interior. No entanto rapidamente esse pensamento de imaginar o que a pasta continha se fez esquecer. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;-&lt;strong&gt; Se não for oportuno da minha parte posso saber o que a menina andava por aqueles lados a fazer? - &lt;/strong&gt;não levei a mal, mas sem dúvida o homem era bastante intrometido. No entanto, fiquei sem saber o que lhe dizer.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;A-a fui a uma festa, e como se tornou tarde não quis ligar aos meus pais - &lt;/strong&gt;menti.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O homem sorriu. Olhei pela janela e avistei ao longe a minha terra. Fiquei feliz e soltei uma gargalhada num tom baixo impossibilitando que seja ouvida pelo homem. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Chegamos, onde quer que a deixe? - &lt;/strong&gt;perguntou o senhor bastante amável.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Agradeço imenso a sua amabilidade, mas eu fico já aqui - &lt;/strong&gt; peguei nas minhas malas e abri a porta do carro ficando junto do Pingo Doce. - &lt;strong&gt;Muito obrigada.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Fechei a porta do carro e inspirei bastante fundo. Finalmente estava de volta à minha terra e, brevemente, iria chegar a casa. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Espero que tenham gostado. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Como será o reencontro de Joana com os pais? &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Ou será que nem vai haver reencontro?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Beijinhos, Maria Inês&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-18T15:57:25</issued>
    <title>Capítulo 5</title>
    <published>2011-12-18T16:23:28Z</published>
    <updated>2011-12-18T16:25:10Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://www.flickr.com/photos/72345863@N02/6531749125"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://farm8.staticflickr.com/7155/6531749125_e659a8576e.jpg" alt="" width="500" height="337" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Passadas algumas horas de conversa e de nos conhecermos bastante melhor, fiquei a saber que ele vivia ali sozinho, o que me incomodou um pouco. Todo o tempo que estive com o rapaz, estava consecutivamente a olhar a porta na esperança que entrasse alguém, pensando mentalmente a melhor forma de cumprimentar os seus familiares. No entanto Duarte habitava naquela pequena casa sozinho.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Questionava-me constantemente como conseguiria ele comprar todas aquelas coisas. Teria sido fruto do seu possível trabalho? Ou estaria ele metido em algum negócio obscuro? Eu preferia não saber. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Estou a ficar com sono - &lt;/strong&gt;disse ele num tom de voz doce - &lt;strong&gt;eu vou preparar as coisas para dormir no sofá. Como é obvio vais dormir na minha cama.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Nem pensar, faço questão de dormir no sofá! - &lt;/strong&gt;sentia-me incomodada em existir apenas numa cama naquela pequena casa. Mas não poderia permitir que eu ocupasse a sua cama, pois era o seu espaço, e eu não me queria intrometer nele.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Eu é que faço questão, e não serás capaz de me contrariar. - &lt;/strong&gt;sorriu de uma maneira bastante agradável. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Subitamente corei um pouco. Aquele rapaz desajeitado mas bastante bonito fazia-me sentir confortável e protegida. Sorri-lhe de volta como sinal de aprovação. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Olhei em redor e avistei uma manta polar, peguei nela, era bastante fofinha e fizera-me lembrar a minha cadela. Lembrara-me daquele pelo macio de tom branco acinzentado. Teria sido a única que me estava sempre lá, nos momentos bons e menos bons. Ela sentia o que eu sentia, sorria comigo, chorava comigo. Passava pelos mesmos momentos que eu, só e apenas ela sabia todos os meus segredos, era o meu diário humano. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Sendo assim eu faço-te a cama, e não digas que não. - &lt;/strong&gt;olhei para o rapaz nos olhos e pasmei enquanto os olhava. Eram bastante bonitos e brilhantes. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Não contraio vossa majestade - &lt;/strong&gt;dito isto aproximou-se um pouco de mim. Olhou-me nos olhos e pegou na minha mão. Tinha um toque tão delicado que me fez deixar cair a manta polar que havia pegado com fim a fazer a sua cama improvisada no sofá. Senti-me envergonhada e recuei separando as nossas mãos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Não tenhas medo, eu não te faço mal. Só estava a olhar os teus olhos, são lindos - &lt;/strong&gt;voltou-se a aproximar de mim e um arrepio cobriu-me o corpo. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Que estás a fazer Duarte? Não te aproximes dessa maneira - &lt;/strong&gt;tentei recuar. Por consequência da casa ser pequena, ao recuar acabei por cair sentando-me na cama. Fiquei sentada na cama a olha-lo de baixo. Continuava a aproximar-se de mim e colocou a sua mão na minha cara. Tinha realmente um toque macio e suave. Regelei. Não sabia o que fazer quando de repente a imagem do meu namorado, ou ex-namorado, me havia passado pela cabeça. Não sabia ao certo se ele se lembrara de mim, o certo é que ainda não me tinha tentado procurar. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A cara dele estava cada vez mais próxima da minha. Mordi o lábio inferior e senti que iria começar a chorar. Implorei para que parasse com aquilo pois estava-me a deixar incomodada. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Desculpa Joana - &lt;/strong&gt;parecia que alguma coisa lhe tinha passado pela cabeça, embora naquele momento tivesse recuado. Fez-me lembrar um filme que havia visto com as minhas amigas na minha casa. Tratava-se de um violador que no fundo era boa pessoa. Baseava-se numa história verídica. O homem era uma pessoa dita normal, tinha família, filhos e uma casa. No entanto, quando saia à rua e encontrava uma rapariga bonita perdia-se na sua própria cabeça. O seu olhar mudava e parecia esquecer tudo o que tinha. E o olhar de Duarte fizera-me lembrar esse mesmo filme, o que me deixou assustada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Se calhar não queres que eu fique aqui. Deixo-te incomodado? - &lt;/strong&gt;perguntei.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Nada disso Joana. Fica à vontade, não te preocupes. Eu nunca te tocarei com um dedo de maldade - &lt;/strong&gt;confiei nele. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Abri a minha mala de viagem que havia trazido do hospital e retirei um pijama de lá. Não me importei minimamente com os olhares que Duarte me poderia fazer se me visse em lingerie, embora me tivesse passado pela cabeça o que ele me poderia fazer. Apenas confiei nele. Retirei do meu corpo gelado a roupa que trazia e coloquei uma t-shirt cinzenta e uns calções que usava como pijama normalmente. Olhei Duarte assim que acabara de mudar de roupa, e incrivelmente ele não me olhava e já permanecia deitado no sofá, bastante anafado nos cobertores. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Boa noite Duarte - &lt;/strong&gt;achei que seria de boa educação desejar-lhe isto&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Dorme bem - &lt;/strong&gt;senti alguma mágoa na sua voz, olhei-o mas ele permanecia com os olhos cerrados. Por fim deitei-me na sua cama e acabei por adormeceu deitada naqueles suaves lençóis. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Espero que tenham gostado deste capítulo. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Peço desculpa pela demora.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Beijinhos, Maria Inês.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-15T13:28:29</issued>
    <title>Capítulo 4</title>
    <published>2011-12-15T14:13:05Z</published>
    <updated>2011-12-15T14:13:05Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img style="border: 0pt none;" src="https://lh3.googleusercontent.com/-A0PN9750N7g/TXBaUAqyglI/AAAAAAAABcA/Tdg4cHxGclM/espera.jpg" alt="" width="355" height="284" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Olhei em redor e de seguida para o meu relógio. Já passavam 45 minutos da hora que havia combinado com o meu pai. De momento, imensos sentimentos me possuíam. Estava com um sentimento de raiva, mas ao mesmo tempo sentia desgosto e estava preocupada. Afinal eu não sabia se alguma coisa se tinha passado com os meus pais. Sentia tanta revolta. Primeiramente, sentia que até o meu pai me havia abandonado. Levantei-me do pequeno banco de jardim que se encontrava a alguns metros do hospital, peguei nas minhas aulas e comecei a caminhar. Não sabia ao certo onde ia, não conhecia nada daquela cidade. Apesar de ser relativamente próxima da minha, eu nunca ali tinha ido. Simplesmente caminhei. Não consegui conter as lágrimas que me corroíam por dentro.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Eram aproximadamente 18 horas e consequentemente estava a anoitecer. Estava com imenso frio. Retirei um cobertor que tinha dentro de uma das minhas malas, sentei-me numa rua um pouco sombria e aconcheguei-me a um canto tapando-me com a manta. Sinceramente não me preocupei minimamente com o que os outros iriam pensar se me vissem naqueles preparos, a minha mãe sim preocupava-se com esses pormenores. Subitamente adormeci.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Boa noite - &lt;/strong&gt;ouvi uma voz particularmente amável a cumprimentar-me. Arrepiei-me e abri ligeiramente os olhos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Olá - &lt;/strong&gt;respondi. Olhei o rapaz fixamente era extremamente bonito. Tinha um ar um pouco desleixado, estava vestido com umas calças de ganga de cor claras, uma t-shirt cor-de-rosa (o que admirei pelo facto que na minha cidade os rapazes faziam trossa uns dos outros se usassem cor-de-rosa) e um casaco com xadrez preto e branco. A sua feição facial era bastante marcada. Tinha o cabelo castanho escuro penteado para o lado e os olhos azuis acinzentados.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Precisas de alguma coisa rapariga? Estava a passar e reparei em ti. - &lt;/strong&gt;tinha um sorriso bastante amável. Senti que não estava ali para me fazer mal. Não sei o motivo, mas senti-me protegida.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Obrigada, mas estou bem. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Como estás bem? - &lt;/strong&gt;consegui ver na expressão dele que me queria ajudar - &lt;strong&gt;Estás na rua, sozinha, deitada no chão, tapada com um cobertos. Na tua terra não sei, mas aqui não é normal. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Senti-me ligeiramente perturbada. Olhei o rapaz tristemente, e ele pareceu ler a minha expressão. De repente, declinou-se junto de mim e sentou-se ao meu lado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Eu sei que não te conheço de lado nenhum. Mas eu só te quero ajudar acredita. - &lt;/strong&gt;agora tinha a certeza que o rapaz só me queria ajudar. Sorri-lhe e ele sorriu-me de volta.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Obrigada. Agradeço-te imenso a preocupação, mas infelizmente acho que fui abandonada pelos meus pais. - &lt;/strong&gt;Sem dúvida que o rapaz queria saber o que se tinha passado, li a sua expressão.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Queres-me contar? Olha primeiro de tudo, a-a se não te importares, como te chamas? - &lt;/strong&gt;o rapaz courou ligeiramente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Joana, e tu como te chamas? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Duarte, prazer Joana.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Igualmente - &lt;/strong&gt;sorri-lhe. Senti-me bastante envergonhada. Senti sinceramente que estava a nascer uma grande amizade. Podia não conhecer o rapaz minimamente, mas senti que aquela conversa não iia ser apenas mais uma. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Conforme a conversa foi avançando, fui-lhe contando toda a minha história, se assim lhe poder chamar. Ela mostrou-se bastante compreensivo e interessado pelo que eu lhe contava, embora não compreende-se como eu podia ter sido tão irresponsável.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Embora não compreendesse, apoiou-me o mais que pode, e sinceramente, ele não precisou de dizer isso para que eu o conseguisse ler nos seus olhos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Esta noite ficas na minha casa. Pelo menos até teres noticias dos teus pais - &lt;/strong&gt;disse o rapaz um pouco envergonhado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Corei imenso, não sabia o que lhe dizer. Não conhecia o rapaz, nem ele a mim, e ele queria que eu fosse dormir a casa dele? Eu não sabia onde ele morava, não conhecia a família dele, aliás, eu tinha-o conhecido à pouco tempo atrás. Pode não ser normal, mas olhei o rapaz e acenei afirmativamente. Ele fitou-me e ficou impressionado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Levanta-te dai - &lt;/strong&gt;disse ele num tom de brincadeira.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Posso saber que idade tens? - &lt;/strong&gt;perguntei eu com o objectivo de durante o caminho até casa do rapaz ficar a conhecer mais um pouco à cerca dele.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Tenho 18, acabados de fazer - &lt;/strong&gt;sorriu -  &lt;strong&gt;E tu? Que idade tens? -&lt;/strong&gt; estava certa que ele me iria perguntar aquilo. Senti-me um pouco apreensiva. Sempre me deram mais idade que aquela que eu realmente tinha, e possivelmente no decorrer da nossa conversa, ele ficara a pensar que eu teria mais ou menos a mesma idade dele. Olhei para ele e parei de caminhar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Tenho 16. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Estou a ver que estás numa situação mesmo muito complicada. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;- &lt;strong&gt;Acredita que estou. Mas não quero pensar mais nisso, agora quero-te conhecer melhor - &lt;/strong&gt;sorri-lhe. Tive medo que ele pensasse que eu me estava a aproveitar da situação para o conhecer melhor. Mas não pensei mais nisso.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Passado algum tempo de conversa, chegamos a um bairro um pouco degradado. Senti um certo arrepio, e tinha a sensação que a ali tinha estado antes, sorri. Lembrei-me da minha melhor amiga, porque ela estava a todos os momentos a dizer que estava a ter um dejavú, e eu achava imensa piada aquilo. Sinceramente nunca acreditei, mas o que era certo é que agora estava a sentir o mesmo, e se não fosse um dejávu, seria qualquer coisa do mesmo género.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Eu sei que este bairro não é propriamente agradável, mas se eu disse que ficavas em minha casa, foi isso que eu fiz. Esta é a minha casa - &lt;/strong&gt;dito isto, o rapaz apontou para um prédio bastante mal cuidado num beco que ali se encontrava. Arrepiei-me profundamente. Era um lugar sombrio onde nem sequer existiam postes de electricidade, e duvido imenso que as casas possuam água canalizada. De repente, passou um gato preto por nós numa corrida bastante rápida. Assustei-me imenso e agarrei o braço dele contra a minha cara, com fim a não ver nada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Calma miúda ! É só um gato, eles comem mas dúvido que comam meninas como tu. - &lt;/strong&gt;não me consegui controlar e deixei escapar uma gargalhada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Espero bem que não comam, sou muito nova para servir de refeição a qualquer que seja o animal.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Está descansada, eu protejo-te - &lt;/strong&gt;senti-me bastante envergonhada, mas ele parecia estar a falar muito a sério.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entramos no prédio. Por dentro não era tão desagradável como no exterior. Não tinha porta no exterior como eu sempre vira nos prédios na minha cidade. Ele colocou a mão no bolso e retirou de lá uma have bastante comprida, colocou-a na fechadura da primeira porta e entramos. Fiquei estupefacta. Esta é a prova que não se deve julgar nada nem ninguém pelo exterior, e sim julgar e criticar quando a conhecemos até ao seu mais pequeno pormenor.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Adoro a tua casa - &lt;/strong&gt;os meus olhos brilhavam, e ele sentiu isso.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Acho que nunca ouvi ninguém a dizer isso antes. Muito obrigado. - &lt;/strong&gt;senti que não devia de ter dito aquilo, mas rapidamente me esqueci disso. Olhei em redor e permaneci no mesmo sítio. A casa sem dúvida alguma era pequena, mas era tão acolhedora que não tinha explicação. Acho que nunca me tinha sentido tão bem numa casa assim. Aquele pequeno apartamento num bairro de lata, transmitia o meu ideal de perfeição para uma casa, relativamente ao interior claro. Simplesmente o apartamento era dividido apenas em duas divisões, a casa-de-banho e o resto da casa. A cozinha, o quarto e a sala estava tudo englobado no mesmo, e eu adorava isso.  Parecia que tinha entrado num conta de fadas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Gostaram do desenlace deste capítulo?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Beijinhos, Maria Inês.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-13T17:23:38</issued>
    <title>Capítulo 3</title>
    <published>2011-12-13T18:35:58Z</published>
    <updated>2011-12-13T18:36:42Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://img3.visualizeus.com/thumbs/10/09/02/girl,outsider,girls,glamour,beautiful,red,hair-6436d82c347683f6cb3e10b6b29912cf_h.jpg" alt="" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Finalmente sai do hospital. Aquele espaço, aquele  quarto e todo aquele ambiente transmitiam-me sentimentos horríveis. Não me saía da cabeça a maneira como a minha mãe me falou, o olhar dela, principalmente o quanto ela me ignorou. Eu tenho a noção que cometi um erro, mas não se diz que o amor de mãe é incondicional? Sempre pensei que ela estivesse a meu lado para me apoiar no bem e no mal. Sempre que eu chorava ela estava lá para me dar uma palavra de conforto, para me dar um abraço caloroso. O que é que mudou? Ela não percebe a minha dor, não percebe o que eu sinto, não entende os meus sentimentos. Não a quero perder.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quando o doutor me deu alta senti emoções mistas. Por um lado, eu não queria ficar ali nem mais um segundo. Queria ir para casa, resolver todas as coisas com os meus pais, queria retomar a minha vida, queria viver. Por outro, tinha medo de sair dali, principalmente tinha medo de voltar a encarar a minha mãe. Se ela não teve a necessidade de me visitar no hospital, porque razão me iria receber bem agora? &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Joana, você está pronta para colocarmos o quarto livre? - &lt;/strong&gt;interrogou-me uma enfermeira. Era bastante gentil. Durante a minha estadio não poderia ter razões que queixa por parte dos auxiliares médicos. Todos aqueles que me acompanharam mostraram-se bastante gentis e compreensivos, talvez mais que a minha mãe. Aquela enfermeira era particularmente doce. Já era uma senhora com aproximadamente 50 anos de idade. Já dispunham cabelos grizalhos e algumas imperfeições da idade no rosto. Sem dúvida, descava-se o seu sorriso, tinha os dentes particularmente bem tratados, sinceramente eu nunca cheguei a perceber se seriam verdadeiros ou não. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Desculpe D. Aurora, perdi-me com os pensamentos e não dei conta das horas passarem. Eu preparo-me em 5 minutos, não se preocupe. - &lt;/strong&gt;leventei-me rapidamente. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Não tenhas pressas. Ainda tens tempo de te preparar em condições. Digamos que precisas de te preparar físicamente e mentalmente. - &lt;/strong&gt;rematou aquela amável senhora. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Eu sentia que podia contar com ela. Inesplicávelmente comecei a chorar. Sentei-me na cama e a senhora aproximou-se rapidamente de me. Senti o seu toque delicado na minha nuca e encostou a minha cabeça contra o seu peito, num sentimento de conforto. Sem pensar, agarrei-a. Apertei-a tanto que não sei como não a sufoquei. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Obrigada D. Aurora. Você está a fazer o papel da minha mãe e não tem obrigações disso, mas não sei com quem ei de contar.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Minha querida, eu sei perfeitamente o que estás a passar. Eu engravidei relativamente nova, mas os tempos eram diferentes. Embora eu não saiba o que estás a sentir relativamente à ignorância por parte da tua mãe, sei o que estás a sentir por não teres a presença da mesma. A minha mãe faleceu quando e deu à luz e, consequentemente, não me pôde apoiar nessa fase da minha vida. - &lt;/strong&gt;Olhei-a fixamente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Talvez eu esteja a ser egoísta. Certamente à pessoas numa situação bem pior que a minha. A-a D. Aurora, sinto muito pela sua mãe - &lt;/strong&gt; levantei-me da cama. Não sei como, senti que havia recarregado a bateria. Senti uma nova força, não sei explicar como, nem de onde apareceu. Talvez por ter percebido que não sou única no mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Observei que a D. Aurora me olhava fixamente enquanto arranjava e arrumava as minhas coisas. Não me importei minimamente se a senhora me observava enquanto me vestia, afinal tammbém era mulher, certamente não se iria importar pela minha falta de privacidade. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Decidi vestir uma blusa de certi modo justa de cor amarela, um casaco ligeiramente comprido às riscas cinzentas, azuis escuras e vermelhas. Peguei numas calças de ganga simples, mas senti que queria ser diferente, nunca gostei da ideia de ser apenas mais uma no meio de tantos. Apesar de estar um dia particularmente frio, vesti ums calções de ganga e calçei as minhas botas azuis escuras de cano alto. Aproximei-me de uma pequena divisão que se incluia no meu quarto, pode-se dizer que se tratava de uma casa de banho improvisada. Lavei a cara e escovei os dentes. Olhei-me ao espelho, foquei os meus próprios olhos. Estavam vazios. Aquele olhar brilhante que me destacava no meio de tanta gente, acompanhado de um grande sorriso brilhante, estava tornado agora numa expressão melancólica, sem vida. Tentei ignorar. Peguei na minha pequena maleta que maquilhagem. Coloquei rimel nas pestanas, um pouco de base bronzeadora na minha cara pálida e lip gloss quase transparente nos lábios. Olhei o meu cabelo e estava particularmente bonito. Penteei-o e deixei-o solto, embora tenha colocado um gorro azul escuro de malha. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Estou pronta - &lt;/strong&gt;olhei para a enfermeira e dei uma volta com fim a mostrar as minhas roupas e o jeito como me havia arranjado. Forçei um sorriso.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Pela primeira vez estou a ver uma Joana linda. Não é que não sejas linda, mas tu percebeste - &lt;/strong&gt;a D. Aurora sempre que conseguira deixar com um sorriso nos lábios.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Obrigada D. Aurora. Bem, mais uma vez obrigada, mas está na hora de nos despedirmos. Muito, muito obrigada por tudo o que fez por mim. Obrigada por todas as palavras e por todo o conforto que me deu, sem si possivelmente não tinha forças para continuar - &lt;/strong&gt;fiz força para não chorar, mordi o lábio. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Oh minha querida! Não tens de agradecer. Agora boa viagem e porta-te bem, vem de vez em quando fazer-me um visitinha para eu saber novidades. Boa sorte para ti e para o teu bebé. - &lt;/strong&gt;dito isto, sorri-lhe e sai do quarto trazendo todas as minhas malas. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Durante o caminho à saida do hospital lembrei-me se a minha mãe estaria à minha espera. Já havia falado com o meu pai e combinado as horas de encontro. Faltavam 3 minutos para a hora, certamente já me estava a esperar. Senti fraqueza nas pernas, tinha medo certamente. Como seria o reencontro com a minha mãe? O que ela me iria exigir? Estava com imenso receio.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Havia chegado à porta do hospital, estava uma imensidão de gente na sala de espera. Reparei numa senhora que estava grávida. Reparei na sua barriga e coloquei imediatamente a mãe na minha, foi a primeira vez que tomei consciência que algo se estava a criar dentro de mim. Será que ele estava a sentir o meu sofrimento? &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Senti o ar fresco e puro que vinha da rua quando a porta de abria para dar permissão a alguém de entrar. Sorri para o exterior e caminhei até ele. Olhei em redor. Onde se havia metido o meu pai, e talvez a minha mãe? Comecei a desesperar. Será que se tinha esquecido de mim? Tentei pensar noutro assunto, certamente o meu pai não me faria uma coisa dessas. Avistei um banco de jardim que se encontrava a alguns metros do hospital. Se eu estivesse junto dele ainda conseguia observar quando o meu pai havia chegado. Caminhei até ele e sentei-me pousando as malas no chão. Esperei. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Onde andam vocês familia? - &lt;/strong&gt;perguntei eu para os meus botões. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Espero que tenham gostado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Aguardem pelo próximo capítulo, agora de férias vou postar mais frequentemente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Beijinhos e obrigada, Maria Inês.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-12T13:05:19</issued>
    <title>Capítulo 2</title>
    <published>2011-12-12T14:10:01Z</published>
    <updated>2011-12-13T17:23:33Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;img style="border: 0pt none;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lTMrBgdkmPQ/TEBZ103rKLI/AAAAAAAAJDQ/scMZoQasrmA/s1600/1000imagensCAWXV02Q.jpg" alt="" width="337" height="217" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Subitamente acordei bastante indisposta. Levantei-me rapidamente e corri para a casa-de-banho. Ajoelhei-me junto à sanita e vomitei. Estava bastante enjoada. Senti que o chão me estava a sair de baixo dos pés, ou melhor, dos joelhos. Estava com tonturas e não me conseguia levantar do chão. O que se estaria a passar comigo? Queria gritar, mas não conseguia. O meu corpo tremia por completo. Deitei-me no chão, procurando em algum lugar de mim, forças para gritar e chamar ajuda.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;De repente, senti que alguém se aproximava. Quando de repente...&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Joana? Jú ! Jorge, Jorge anda cá a Joana está-se a sentir mal! - &lt;/strong&gt;gritou a minha mãe. Comecei a ouvir todas as suas palavras e toda aquela azáfama bastante longe de mim. Sentia definitivamente a minha vida a passar por mim. Ouvi o meu pai entrar na casa-de-banho e senti o pousar da minha cabeça no colo dele. Fechei os olhos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Podem entrar, a vossa filha acordou. Peço que tenham calma, ela está bastante frágil. - &lt;/strong&gt;ouvi o médico a falar com os meus pais. Inconscientemente, não dei valor ao que ele lhes estava a pedir. Eu própria ainda não sabia o motivo daquele sucedido. Havia acabado de acordar e sentia-me bastante frágil. Ouvi a porta a abrir e olhei os meus pais, não me haviam sorrido.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Filha como te sentes, pregaste-nos um grande susto! &lt;/strong&gt;- o meu pai estava bastante preocupado comigo. Sentia o seu toque na minha mão. O seu tom de voz era bastante baixo, concentrei-me nisso e senti que alguma coisa estava mal.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Podem me explicar o que aconteceu? Só me lembro de me sentir bastante enjoada, correr para a casa-de-banho e senti que iria morrer ali. -&lt;/strong&gt;olhei a minha mãe nos olhos. Estava bastante mal encarada, acho que nunca tinha visto a minha mãe assim. Tinha os olhos bastante vermelhos, e sentia raiva, era a única coisa que conseguia transmitir através deles. Sempre conseguira ler os sentimentos da minha mãe através dos seus olhos, e nunca os tinha visto assim.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Como foste capaz Joana, tens 16 anos ! O que te passou pela cabeça? Tens a noção que estragaste as nossas vidas? O que é que as pessoas irão pensar? És tão nova, como vais ser capaz de sustentar um filho? Joana, o que é que nos fizeste?! - &lt;/strong&gt;senti o arrepio tão frio que não consegui reagir. Eu estava grávida? A minha mãe chorava desalmadamente. Sempre conheci a minha mãe como o pilar da casa, nunca a vi triste, decepcionada nem comigo nem com o meu irmão, sempre lhe transmitimos o exemplo de filhos perfeitos, nunca havia tido razões de queixa. Mas naquele momento senti que tudo o que havia construído com a minha mãe durante 14 anos, tinha desaparecido. Definitivamente, ela tinha nojo da filha que havia criado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- M-m-mãe e-eu... - &lt;/strong&gt;não sabia como me havia de explicar. Nem sabia como isto tinha acontecido. Quer dizer ... sabia. Sabia eu e agora também os meus pais sabiam. Não era capaz de os encarar. Tentei explicar-me mas nenhuma palavra saiu da minha boca. Apenas chorei.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Deixa-a falar Carla, acho que a nossa filha tem muito que nos explicar. Aposto que tudo tem uma razão de ser. - &lt;/strong&gt;o meu pai sempre havia sido mais calmo que a minha mãe. Compreendia-nos mais e naquele momento, acho que se ele não estivesse ali a minha mãe teria cometido uma loucura.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Eu não sei como vos encarar agora. Se senti naquele momento que a minha vida ia acabar, agora tenho a certeza disso. - &lt;/strong&gt;Acho que não comecei da melhor forma. A minha mãe ficou indignada com o que eu acabara de dizer, acho que de qualquer forma pensou que eu a estava a culpar. Continuei.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- ... Eu tenho apenas 16 anos, mas como vocês sabem eu sempre fui muito responsável. Sei que não fui agora ...&lt;/strong&gt; - disse rapidamente, justificando-me&lt;strong&gt; - mas vou arcar com as consequências dos meus actos. Como vocês sabem eu namoro com o Gabriel à bastante tempo, desde que tenho 14 anos. E decidimos dar um passo em frente na nossa relação. Quer vocês acreditem quer não, só tivemos relações uma única vez. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;E foi o suficiente para destruíres as nossas vidas ! - &lt;/strong&gt;a minha mãe nunca me iria perdoar. Saiu pela porta do quarto onde eu me encontrava e só a voltei a ver no dia que sai do hospital.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Surpreendidos?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Aguardem o próximo capítulo, obrigada. Maria Inês&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-11T21:58:42</issued>
    <title>Capítulo 1 </title>
    <published>2011-12-11T21:58:53Z</published>
    <updated>2012-01-25T16:20:25Z</updated>
    <content type="html">&lt;div class="saportecontainer saportepreserve" style="float: left;"&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://www.porta-trecos.blogger.com.br/sozinha2.jpg" alt="" width="400" height="312" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Joanaaaa ! Acorda estás atrasadíssima - &lt;/strong&gt;gritava a minha mãe.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Estava uma manhã fria de Inverno. Subitamente acordara com os gritos da minha mãe, para não variar. Mergulhei a minha cabeça na almofada e implorei para que aquele pesadelo acabasse.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Joana, não te digo outra vez - &lt;/strong&gt;dito isto, a minha mãe entrara no quarto, puxara-me os lençóis para baixo, destapando-me. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Conseguia sentir na rigidez da sua voz que ainda não tinha aceitado. Subitamente esfreguei os olhos e sentei-me na cama. Estava bastante frio. Vesti o meu roupão e sentei-me no cadeirão em frente da minha janela e olhei-a. O silêncio conjugava com aquele dia, cinzento e sombrio. Os meus olhos estavam fixos na janela. Levantei-me cuidadosamente, estava frágil. Só a minha mãe não percebia a minha dor. Andei vagarosamente até ao armário onde guardava as minhas roupas. Não hesitei e retirei a primeira peça de roupa que vi. Vesti uns jeans de cor escura ligeiramente rasgados no joelho esquerdo, uma camisola larga branca com um smurf e calcei os meus ténis brancos da adidas. Caminhei com dificuldade até à casa de banho, lavei os dentes e a cara e prendi o meu longo cabelo escuro com um elástico azul. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Já estás levantada? - &lt;/strong&gt;disse o meu irmão admirado ao entrar na casa de banho.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Vou ao hospital, queres vir comigo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- A-a não. &lt;/strong&gt;- atrapalhou-se ao responder-me. Li na sua expressão facial que até o meu irmão me reprovava. Senti-me triste, casa vez mais sozinha. Como seria possível destruir a minha vida familiar em tão pouco tempo?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sai da casa de banho. Estava prestes a rebentar, o meu coração parecia uma bomba relógio, e ainda agora o dia tinha começado. Entrei no meu quarto, coloquei algumas coisas essenciais dentro da minha mala bege. Maquilhei-me um pouco, coloquei rímel nas pestanas e lip gloss rosa suave nos lábios. Sai do quarto e desci as escadas. Olhei a minha mãe nos olhos e ela desviara o olhar. Senti um frio na barriga, nunca tinha tido tão grande sentimento de perda. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Estou pronta - &lt;/strong&gt;disse eu olhando o chão. Tinha agora um certo medo de olhar nos olhos da minha mãe. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Preparei-te uma sandes de queijo e aqueci-te leite, ainda temos tempo. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Não tenho fome m-mãe - &lt;/strong&gt;a minha voz tremia. Tinha medo da sua reacção.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Dei um passo atrás. A minha mãe abanara a cabeça num sentido de incompreensão. Todos agiam como se eu fosse doente. Olhei o chão e deixei cair uma lágrima. Sentia-me tão mal comigo mesma. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Vais ficar ai a contemplar o chão ou dás corda aos sapatos e vamos embora? Não tenho o dia todo! &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Arrepiei-me da cabeça aos pés. Dirigi-me à porta de casa e fechei-a cuidadosamente. Até tinha medo de fechar a porta violentamente, não fosse também pretexto de reprovação por parte da minha mãe. Entrei no carro, coloquei o cinto de segurança. O hospital ainda ficava a 20 minutos de distância. Durante o caminho até ao hospital não se ouvia um único barulho. Olhei pela janela, tudo me passara pela cabeça. Como poderia eu ter sido tão irresponsável? Tentei não pensar em mais nada. Coloquei os meus fones wesc e liguei o iphone, sem eu ter escolhido começou a tocar "Nickelback - Far Away", não mudei. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Acorda - &lt;/strong&gt;senti um grande aperto no meu braço e abri bruscamente os olhos - &lt;strong&gt;Chegamos, despacha-te que já são quase horas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Coloquei o iphone dentro da mala e levantei-me. Fiquei barrada pelo cinto de segurança, havia-me esquecido de tirá-lo; sempre sorria quando isso me acontecia, mas neste momento nem isso me arrancava um sorriso. Levantei-me lentamente e fechei bruscamente a porta do carro.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- O carro não tem culpa da tua falta de juízo ! Volta a abrir e a fechar a porta mais delicadamente, JÁ ! &lt;/strong&gt;- não acreditava que a minha mãe tinha ordenado aquilo. Mas eu tornei-me algum animal? &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Olhei a minha mãe nos olhos tristemente, mas fiz o que ela ordenava. Voltei a abrir e a fechar a porta, desta vez com mais cuidado. Entrámos no hospital. Estavam imensas pessoas sentadas na sala de espera, e eu sentei-me enquanto a minha mãe fazia a minha ficha de inscrição. Quando se dirigiu a mim novamente, mandou-me para cima a pulseira que indicava a minha prioridade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Vermelha? Eu não estou doente mãe - &lt;/strong&gt;disse com lágrimas nos olhos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; A minha mãe olhou para mim com um ar desprezível - &lt;strong&gt;Estás bem pior. Antes estivesses doente. Que desilusão Joana, que desilusão, o que é que as pessoas vão pensar?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;-Só te preocupas com o que as pessoas possam pensar. E eu? Já pensaste como me estou a sentir? - &lt;/strong&gt;falei num tom de voz um pouco mais alto, que chamou a atenção de muita gente na sala de espera. Um arrepio gelado cobriu-me o corpo, não acreditara que havia dito aquilo. Finalmente, ao fim de tanto tempo de repreensão e desprezo, conseguia dizer o que sentia, e não ficara preocupada com repreensões ou consequencias. Subitamente a minha mãe levantou a mão, mas o seu acto foi interrompido.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- "Joana Lima, gabinete 12. Joana Lima, gabinete 12" - &lt;/strong&gt;Congelei. Não conseguia reagir ao impulso que a minha mãe havia tido. Iria me agredir? Que dissera eu assim de tão grave? Os meus sentimentos seriam assim tão graves para merecer uma repreensão tão violenta? A minha mãe agarrou-me o braço violentamente e arrastou-me pelo corredor até ao gabinete 12.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Bom dia doutor - &lt;/strong&gt;diz a minha mãe com um tom de voz doce, completamente alterado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Façam o favor - &lt;/strong&gt;com um gesto delicado, o médico levanta-se da sua cadeira de pele preta, estende a mão e cumprimenta-me delicadamente a mim e à minha mãe. O gabinete tinha um ambiente acolhedor. Curiosamente sentia-me melhor ali do que me havia sentido na minha própria casa nos últimos dias. Sentei-me na cadeira cor azulão e fitei o doutor João, consegui ler o seu nome no identificador que tinha pendurado na sua bata. Tinha um ar jovem, bastante simpático. Duvido que exerça esta carreira à muito tempo. Pelo seu aspecto não lhe daria mais de 25 anos, mas a aparência engana...ou não. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;- Joana Lima, certo? - &lt;/strong&gt;leu a minha ficha pessoal, e olhou-me por cima dos óculos que tinha colocados delicadamente na sua face morena - &lt;strong&gt;vou chamar uma enfermeira e pedir a tua bata. Quero que te sintas à vontade, aqui ninguém te vai reprovar por nada. Como deves de imaginar passam-me diariamente imensos casos pelas mãos como o teu.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Acenei positivamente com a cabeça, mas não o conseguia olhar nos olhos. Ouvia a respiração ofegante da minha mãe. Engoli em seco. Segui o médico até a uma sala ao fundo do corredor. As minhas pernas pareciam pesar uma tonelada. Literalmente arrastei-me até à pequena sala escura, entrei e colocaram-me de imediato uma espécie de vestido azul bebé. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Ficaram curiosos? O que será que vai acontecer com a Joana?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Vou tentar postar o próximo capitulo brevemente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt;Kiss, Maria Inês (:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
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